Paul McCartney e nos - O dia que eu encontrei Paul McCartney pela primeira vez

Paul McCartney e nos -
O dia que eu encontrei Paul McCartney
pela primeira vez 

Por Marco Antonio Mallagoli
revisão e adaptação do texto -
Janaina Mallagoli
e
Daddy Lilian Mallagoli 

show-06-net-logo-01Foto do show por Edméa Mallagoli


O sonho de todo fã dos Beatles é conhecer pelo menos um deles pessoalmente. Esse sonho ainda hoje é perseguido por todos os fãs do mundo.
Eu tive esse privilégio na minha vida e consegui conhecer os quatro Beatles pessoalmente, mas essa historia completa, e meus encontros com os outros Beatles, você vai ler em meu livro algum dia, breve.
Vamos falar de Paul McCartney - em 1990, o Brasil ficou “eufórico” com a noticia de que Paul McCartney viria fazer pela primeira vez um show no Brasil, e seria no Rio de Janeiro, no Maracanã.

dia-19-01-netIngresso do show,não utlizado

 Lógico que não podia deixar isso passar em branco e mexi meus pauzinhos com o pessoal da MPL que conhecia em Londres e fui procurar a empresa que o estava trazendo, sendo que tive varias reuniões com diversas pessoas e todas me atenderam muito bem, mas ninguém me prometeu nada.
Não desanimei e procurei achar uma maneira de provocar um encontro com ele no camarim e pensei em dar a ele um instrumento, um baixo brasileiro.
Foi então que entrei em contato com meu saudoso amigo Carlos Assale, Beatlemaniaco, que era dono da fabrica de guitarras Dolphin e ele me prometeu fazer um baixo especial para o Paul McCartney.
E o dia foi chegando e acabei indo para o Rio com muita ansiedade, mas com a certeza de que eu iria conseguir.
O pior é que o baixo não ficava pronto e o Assale me dizia para ficar tranquilo, e ele acabou mandando pelo “Hora Certa” da Varig e eu fui buscar no Aeroporto junto com minha comadre Beth Florido.
Acredito que ao “revelar” esses fatos, de como o baixo chegou as minhas mãos, terminam varias mitificações sobre esse assunto.

NOTA-FISCAL-DOLPHIN-BAIXO-NETNota fiscal do baixo feito pelo Carlos AssaleNOTA-FISCAL-BAIXO-02-NET

Recibo da Varig de entrega do baixo enviado pelo Carlos Assale

Na volta para o Hotel, pegamos uma chuva violenta e a água começou a subir e a entrar no carro e eu não sabia se salvava o carro, nós ou o baixo que estava no banco de trás.
Mas saímos bem, embora assustados e muito molhados, mas o baixo estava inteiro.

Por motivo da forte chuva os shows que seriam dias 19 e 21/4, acabaram sendo dias 20 e 21/4, e o segundo show foi “record de publico” ate os dias de hoje, com mais de 180.000 pessoas pagantes.

credencial-frente-mam-netMinha credencial usada para entrar no camarim e show

credencial-back-mam-netVerso da minha credencial usada para entrar no camarim e show

No dia do primeiro show, 20/4/1990, eu fui para a entrevista coletiva e levei o baixo comigo, pois minha ideia era entregar o baixo a ele e pedir para ir ao camarim, mas ao chegar no estádio, fui ameaçado de não entrar na coletiva pois eles alegaram que tinha mais jornalistas credenciados do que lugares na sala de imprensa.

credencial-mea-frente-netCredencial da Edméa usada para entrar no camarim e show

credencial-mea-back-netVerso da credencial da Edméa usada para entrar no camarim e show


O que me confortava era que minha esposa Edméa, já estava tirando fotos dele e da Linda, como fotografa do nosso Fã Clube.
Ela me garantiu que não ia “tremer” mas ao chegar perto deles, esqueceu ate de bater mais fotos e tremeu, veja uma das fotos bem de perto.
Mas também quem não iria tremer em uma situação dessas?

coletiva-01-net-logoFoto da Edméa ao ver pela primeira vez Paul e Linda

 

Mas era o meu dia, eu sabia disso, e acabei entrando, mesmo contra a vontade de algumas pessoas . 
Uma garota brasileira, sem se identificar, me proibiu de entregar o baixo a ele, pois a Globo iria filmar a coletiva e eu não podia aparecer entregando o baixo nas filmagens deles. 
Hostilidade pouca é bobagem, pensei. O que eu ia fazer? 
Nisso uma garota inglesa, cujo nome não me lembro, veio falar comigo e pediu para ficar com o baixo e me disse que após a coletiva que eu a procurasse. Eu entreguei e ela saiu com ele da sala.

O mais engraçado é que durante a coletiva, havia uma intérprete que traduzia muito mal as perguntas e ela não sabia nada de Beatles ou Paul McCartney e quando fui escolhido por ele para fazer uma pergunta eu o fiz em inglês direto a ele, e os outros jornalistas ficaram reclamando que não tinham entendido nada e que eu deveria fazer em português.
Isso causou um tumulto e o Paul brincou vaiando os jornalistas.
Me lembro de que alguém perguntou a ele qual era a diferença entre os Beatles, Wings e a atual banda, e ela ao traduzir em inglês, não sabia o que era “Wings” e pulou a palavra e o Paul entendeu e consertou a pergunta dela em inglês, foi hilário.

Ao acabar a coletiva, encontrei com a garota inglesa, que me disse que ia me levar ao camarim para falar com o Paul e entregar o baixo a ele.
O sonho estava se realizando, eu estava cada vez mais próximo dele.

with-me-02-net-logoEu e Paul McCartney, curtindo o baixo

Logo que entrei, eu me apresentei e ele disse: “Marco o primieiro” (assim mesmo, errado) e começamos a conversar.
Ele me perguntou como estava indo o Fã Clube Revolution e disse que adorava minhas publicações, mesmo não entendendo muito o português e que ele guardava tudo com carinho, pois sempre tinham umas fotos que ele não conhecia (O George Harrison me disse a mesma coisa anos depois).
Foi então que a garota inglesa veio com o baixo e me deu e eu entreguei a ele que curtiu muito e notei que havia um fotografo tirando fotos o tempo todo, mas eu não pude levar câmera fotográfica, só gravador para uma mini entrevista.
Ele foi super simpático, tocou com o baixo, agradeceu e ficamos conversando – essa conversa você vai ler completa em meu livro, já citado acima.

with-me-01-net-logoEu e Paul McCartney no camarim com o baixo

As fotos que estamos juntos foram enviadas por ele e curiosamente as recebi no correio no dia 18/6/1990, ou seja, ele fez aniversario e eu ganhei o presente.

Mas nosso encontro não iria acabar ali, o melhor estava por vir, antes de sair do camarim, eu disse que tinha uma filha de 4 anos, a Janaina que cantava “Yestoday” e um filho de 2 anos, o João Paulo, em homenagem a ele e ao John e ele me perguntou se eles estavam no Rio e se eu podia trazer eles para ele conhecer o que aconteceu no dia seguinte, mas essa historia fica para uma outra vez.

with-us-01-net-logoNo dia seguinte, no colo João Paulo, eu, Edméa, Paul e Linda.
No chão Janaina. 

Posso dizer com toda segurança que fui o primeiro e único fã dele, e dos Beatles, a conhecê-lo pessoalmente aqui no Brasil e estive com ele no camarim por três vezes (convidado por ele), onde ele me deu atenção, conversamos bastante, autografou tudo que levei a ele, enfim não foi só entrar e tirar uma foto ao lado dele e sair, como aconteceu com algumas pessoas, e isso ninguém vai tirar de mim, uma lembrança única que ninguém consegue superar, por mais que tentem.
E não me sinto na obrigação de provar mais nada a ninguém.
Assim como a minha amiga “Lizzie Bravo” que conheceu e conviveu com os quatro Beatles pessoalmente, na Inglaterra nos anos 60, inclusive gravou com eles a musica “Across The Universe”. Desconheço que qualquer outro fã brasileiro tenha conseguido essa façanha de conhecer pessoalmente os quatro Beatles.
E isso ninguém tira essa lembrança única e maravilhosa da gente, certo?