Explorando a Técnica de Guitarra Acústica de John Lennon nos Beatles

Explorando a Técnica de Guitarra Acústica de John Lennon nos Beatles

Matéria original da revista Guitar World por Dale Turner
Tradução e revisão Marcia Maluf


Essa matéria e técnica e muito útil a músicos, mas acredito que é bem curiosa, interessante, traz informações preciosas e com certeza vai ajudar muitas pessoas a entender melhor Beatles e John Lennon. – Marco Antonio Mallagoli
Agradecimentos especiais a amiga Lizzie Bravo, pelo link da revista.

Nas décadas anteriores à sua morte em 8 de dezembro de 1980, a lenda de John Lennon continuou a crescer tanto por suas contribuições aos Beatles como por seus feitos como artista solo.

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Mesmo assim, raramente ele é mencionado por suas performances na guitarra acústica. Isso talvez se deva ao grande destaque dado aos trechos acústicos solo dos Beatles escritos por Paul McCartney, tais como “Blackbird,” “Yesterday,” “Michelle” e “Mother Nature’s Son.” Mas Lennon – empunhando sua Gibson J-160E ou a Martin D28 – é o homem por trás de outros clássicos acústicos dos Beatles como "Norwegian Wood," "Julia," "Happiness Is a Warm Gun" e "Dear Prudence."

Vamos ver o que faz essas faixas “grudarem”. Lennon usou uma versão da técnica “Travis picking”,(*) um estilo parecido com acordes da música country americana, que recebeu esse nome em homenagem ao músico Merle Travis, por seu estilo voltado para o acústico.

(*) possivelmente foi a forma que ele aprendeu a dedilhar o violão com o cantor Donovan.

FIGURA 1a–d Desconstrução do padrão favorito de Lennon através de um acorde C aberto, começando com as notas graves para focalizar a atividade do polegar da mão que executa a técnica (FIGURA 1a). Segurando a corda C, use seu dedo anular na haste alternando o C (corda A, terceiro traste) e G (corda E baixa, terceiro traste), nas batidas um e dois, respectivamente. Essas notas e a nota E no segundo traste na corda D (batida “entre” cada nota do baixo) são tocadas com o polegar (p).

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Conforme mostrado na figura 1b–d, uma nota é adicionada de cada vez - tocada na corda E alta com o dedo anular (a), na corda G com o dedo indicador (i) e depois na corda B com o dedo médio (m) – até juntar todo padrão (veja a figura 1d). Depois de obter esse padrão, você estará pronto para enfrentar as canções acústicas dos Beatles de Lennon, como “Julia” (do Álbum Branco dos Beatles). (Nota: Lennon usou um capo na segunda haste no original.)

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Escrita como uma homenagem à mãe de Lennon, essa faixa tem os acordes C, G, Am7 e Em, cada um com um tom G alto comum tocado com o dedo mínimo no terceiro traste da corda E alta. Embora os dois acordes G e Em tenham raízes na sexta corda, Lennon emprega seu padrão “raiz na quinta corda” o tempo todo em “Julia.” Como resultado, ao invés de atingir as raízes dos acordes G e Em primeiro, ele soa com um tom de acorde diferente no momento de mudar de acorde. Isso cria o som de inversões temporárias (acordes com uma terceira ou quinta no grave).

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“Happiness Is a Warm Gun” (dos Beatles), na figura 3 tambémusa esse mesmo método- com Em, Em (add2), Am13 e Am7 p como em “Dear Prudence.” Embora “Here Comes the Sun” de George Harrison seja vista como o ápice das canções solo acústicas dos Beatles, “Norwegian Wood” de Lennon (de Rubber Soul), mostrada na figura 4, certamente não fica atrás. Esse riff – executado em 6/8 e tocado com um capo no segundo traste do original – está alojado dentro de um acorde D aberto, com o dedo mínimo da mão da haste e o dedo indicador empregado nas notas para dar a melodia. Estude com cuidado os pares/trios de cordas mostrados na partitura e pegue-as usando as batidas que se aproximem da melodia.

 

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Um exemplo por Dale Turner em vídeo: